João Emanuel Carneiro compara ‘Avenida Brasil’ e a ‘A favorita’


RIO – No quarto de um apartamento na Zona Sul do Rio, soldadinhos de plástico, índios de um Forte Apache e vários Playmobils faziam parte da população de 600 habitantes da Bonecolândia, como foi batizado o país criado pelo menino João, filho único, um tanto sozinho, mas com imaginação fértil. Os pequenos moradores que se espalhavam pelo cômodo tinham certidão de nascimento e todo ano cumpriam com o dever de cidadão, elegendo sempre o mesmo presidente, chamado Bem Supremo. Ainda na infância, sem saber que isso lhe renderia uma profissão, o hoje autor João Emanuel Carneiro dava sinais de que tinha um dom para inventar histórias.

Aos 42 anos, ele coloca a cabeça para funcionar em função de “Avenida Brasil”, que estreia amanhã, na Globo. Na novela, ele narra a história de Rita, menina abandonada num lixão pela madrasta. Já adulta, ela só pensa em vingança. Para isso, será capaz de tudo, até pagar com a mesma moeda da crueldade. Heroína ou vilã? Assim como em “A favorita”, de 2008, o autor volta ao horário nobre para deixar o público inquieto no sofá. Ele conta que a ideia da trama veio do desejo de torcer na ficção por quem faz o mal. Porém, considerando a tal brincadeira da infância, na qual o Bem Supremo detinha o poder, é possível que tanta amargura seja vencida pelo amor na nova trama das 21h.

— A história é filha de “A favorita”. Queria criar uma personagem que fizesse coisas horríveis como a Flora, mas de modo que fosse possível torcer por ela. Daí, veio a Rita. Quando ela reaparece na vida da madrasta, também vai reencontrar a sua paixão da infância. Com isso, não sabe se deve amar alguém ou viver focada na tal vingança. Uma heroína tem que ter contradição, não pode ser pura, perfeita. Precisa de uma criptonita para ser verossímil — explica. — Mas acho que tem sempre que existir um happy end. Na vida, isso é muito bom — sinaliza o autor.

Sua última experiência no horário das 21h teve mais um reflexo na trama atual. João Emanuel diz que percebeu, há quatro anos, como o núcleo de ricos da novela tinha pouco apelo junto ao público. Para ele, “as pessoas querem se ver na tela e não uma realidade que não é delas”. Sendo assim, sai de cena o empresário bem-sucedido. Em “Avenida Brasil”, o rico é o jogador de futebol, nascido no subúrbio.

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Publicado em outubro 20, 2012, em Avenida Brasil, Globo e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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